O Brilho do Recomeço
Você se lembra do primeiro dia naquele emprego que tanto queria? Ou de quando tirou um projeto do papel, com o coração cheio de planos?
A gente acorda mais cedo, escolhe a melhor roupa, sente os olhos brilharem e o peito se encher daquela energia bonita de quem está pronta para fazer acontecer.
Nesse começo, somos como um palito de fósforo novinho dentro da caixa. Temos potencial, sonhos e uma chama que quer iluminar o mundo.
É o brilho do recomeço. E tudo o que queremos é crescer.
Mas existe algo sobre o fósforo que quase ninguém nos conta: para produzir fogo, ele precisa de fricção.
No trabalho, essa fricção aparece disfarçada de comprometimento. É a mensagem respondida fora do horário, a demanda extra aceita para provar valor, o almoço interrompido e o expediente que se estende porque “é só uma fase”.
Até que a exceção vira rotina. A urgência nunca termina. E a necessidade de provar que somos capazes começa a consumir a energia que nos trouxe até ali.
A chama acende. Os resultados aparecem. As pessoas elogiam a entrega.
Mas quem está segurando esse incêndio?
O fósforo não foi feito para durar.
Sob fricção constante, ele queima os dedos, consome a própria madeira e, por fim, vira carvão.